RANÇO

Capa_Jorge_Aguiar_Oliveira_REV3RANÇO
Jorge Aguiar Oliveira
colecção azulcobalto 019 | poesia
11x15cm | ISBN 978-989-8592-42-2
56 páginas | 6,95 euros

EXCERTO

«Shot Bairro Alto»
és tanso shot
bebendo bujecas
caipimerdas
vão à merda shot
falaciosos de calão
sem nexo shot
vidas falidas
copos plásticos
palhinhas e limas
arremessadas ao chão
garrafas de tinto
cerveja e vodka partidas
entoando és merda
já foste bat’fundo
deixa k’eu chuto
chupo outro
shot chamon cu de judas
guinchos histéricos
para abafar o malogro
do futuro
que os espreita

(…)

RECEPÇÃO

«A poesia de Jorge Aguiar Oliveira sobressaiu, desde sempre, pela vontade de mostrar a ruga, desmaquilhando a realidade, fazendo cair máscaras e trajes, dando a ver com especial crueza as entranhas dos seus temas. Ranço é uma recolha de duas dezenas de poemas onde está em evidência o declínio de um país. Se é verdade que sempre esse declínio se insinuou nos versos do autor, nunca como nestes poemas ele apareceu de forma tão explícita. Digo isto por notar uma certa inflexão temática na poesia de Jorge Aguiar Oliveira que, sem se afastar por completo do fatalismo erótico e da encenação trágica da sexualidade num contexto de opressões sociais, culturais, religiosas, aproxima-se muito mais, nestes poemas, da paisagem política e dos seus podres mais do que evidentes.»
Henrique Fialho

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