OUTROS NOMES, OUTRAS GUERRAS

Capa_Urbano_V1OUTROS NOMES, OUTRAS GUERRAS, de Urbano Bettencourt

colecção transeatlântico 008 | poesia

48 páginas  | ISBN 978-989-8592-23-1 | 1ª edição – Maio de 2013 | 2ª edição – Maio de 2013 | PVP: € 6,45

EXCERTO

«Quando o técnico do estúdio
os reuniu na foto, lado a lado,
já tinha havido uma guerra,
algumas batalhas perdidas, outras
nem tanto;
as tropas tinham feito e desfeito cravos,
tão cedo idos desta vida como a via
original para o socialismo.
Mas eles não podiam sabê-lo ainda
nesse momento em que desfitavam o fotógrafo
e inscreviam no futuro o olhar cruzado
com que não me olham agora
muitos anos depois.
A pequena glória do técnico será mesmo essa,
a de inventar-lhes uma história,
anulando a distância que vai de um natal dele
sobre o Sado, em 70,
à ilha dela e a um outro estúdio
que o tempo baniu do mapa da cidade.
Falaremos, então, de ficção
a propósito de foto & cine,
os planos, a montagem, as elipses
– motivos para uma conversa, oh mon dieu!, com Eisenstein
na Escola de Cinema de Moscovo.» [Sobre a arte da montagem]

RECEPÇÃO CRÍTICA / LEITURAS

«Desta vez trago à baila um poeta que, de furtivo em furtivo livro, reabilita a palavra poética e o sentido mágico do poema: Urbano Bettencourt, cavaleiro andante por amor à literatura, açoriano que vive entre a ilha e a viagem, e de quem acaba de ser lançado um livrinho (de bolso) imperdível: “Outros nomes, outras guerras – Antologia” (Companhia das Ilhas, 2013). Trata-se de uma selecção de poemas que o autor resgatou de outros livros seus, e a que acrescentou cinco inéditos. (…)
Desde Raiz de Mágoa (1972), seu primeiro livro, que Urbano Bettencourt é poeta do equilíbrio formal, da economia do verso bem urdido e sonoro, e da requintada arte de finalizar o poema, sendo que um constante sentido de rigor, de exigência e de minúcia orientou a demanda de uma linguagem depurada e erguida sobre a palavra iluminada, exata, única e essencial. Resultado: o percurso poético de Urbano tem sido sempre de sentido ascendente. Diria mais: ele é excelente e imenso poeta porque tem a policiá-lo um grande sentido crítico.
Isto explica o intenso trabalho que este autor, digo artesão de palavras sempre em busca de novas significações, coloca na elaboração dos seus textos. (…)»

Vítor Rui Dores (RTP-RDP/Açores, 30 de Junho de 2013)

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