OS FILHOS DE MUSSA MBIKI

Capa_Jose-Pinto-Sa_Os filhos de mussa mbikiOS FILHOS DE MUSSA MBIKI, de José Pinto de Sá (Moçambique)

Ilustrações de José Pinto Nogueira

ficção/conto | colecção transeatlântico 005 | 

ISBN 978-989-8592-16-3 | 1ª edição – Março de 2013 | 48 páginas | PVP: € 6,45

EXCERTO

«Com o cano da arma afastou a manta, deu com uma velha e um bebé. A velha, morta, cortada ao meio pela rajada. Olhos esbugalhados, boca entreaberta, o sangue a escorrer entre os dentes limados em serra. O bebé, abraçado à velha, com a cara escondida entre as mamas ressequidas. Não chorava.» (…)

(Chama-se Eusébio e acabou-se)

RECEPÇÃO CRÍTICA / LEITURAS

«Quase short stories, a técnica narrativa ao serviço de situações-limite, trazendo do new journalism a frase incisiva e certeira que lhe interessa, apostado numa panóptica expurgada de antinomias, mordaz, como no conto «Fica para Amanhã», onde, num desenlace inesperado é todo um mundo que desaba com a vigilância e a delação que autofagicamente castiga e se castiga, tudo começando à mesa de um bar, na amena cavaqueira de dois cidadãos que desabafam sobre a vidinha e a política – quo vadis, homem novo? – José Pinto de Sá tem o swing do conto. Em «Depois da Paz», narrador e narratário – outra vez um bar – tecem laços de cumplicidade onde avulta uma espécie de abjeccionismo sublimado anulando toda a narrativa oficial sobre a libertação da mulher. «Asas de Corvo» expõe-nos a pura mecânica do desejo sem lamentos à Catulo, «manda Amor», etc – nem inquietações à George Bataille. Liturgia que se cumpre sem linguagem, num erotismo cru, desesperado, funcional, enquanto a violência e a morte anónima, urbana, nocturna, ronda os corpos desesperados no outro lado da janela, no quintal.

Sem preocupações de nenhuma estratégia de legitimação identitária – ele há tantas – o autor deOs Filhos de Mussa Mbiki vem desarrumar algumas convenções sobre a narrativa que se escreve em Moçambique. Não cabe em escolas, não as quer; não sofre da famosa «angústia da influência». O que José Pinto de Sá nos propõe é um outro caminho. Os Schoolars mais diligentes quererão arrumá-lo em alguma prateleira teórico-identitária. Pressinto que o autor se está nas tintas.»

Luís Carlos Patraquim, apresentação da obra, Évora, Livraria Dom Pepe, 2 de Março de 2013. Texto integral aqui.

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