EPHEMERAS

Ines_Lourenco_WEBEPHEMERAS, de Inês Lourenço

colecção azulcobalto 005 | ficção/micro-histórias

48 páginas | ISBN 978-989-8592-14-9 | 1ª edição – Outubro de 2012 | 2ª edição – Outubro de 2012 | PVP: € 6,45

EXCERTO

«Deslizar os dedos na pelagem morna de um bicho amável, desses que agitam a cauda na pura alegria do reencontro, mesmo que não estejamos com bom ar ou tenhamos envelhecido subitamente. Deslizar os dedos em polpas macias arredondadas promessa de sumo e de gomos ou num tufo de erva húmida ou numa gota de chuva a escorrer na vidraça. Nada de seres com raciocínio, inventores de tabelas do mais e do menos. Nada de teorias da luz e do negro. Queres adormecer na seda da sombra sem autofagia das escolhas que eliminam a tua metade.» [ Deslizar os dedos ]

RECEPÇÃO CRÍTICA / LEITURAS

«Os textos breves de Inês Lourenço assemelham-se às efémeras na urgência e na delicadeza. Falam de coisas preciosas mas voláteis, coisas que se foram perdendo: o misterioso latim das missas (substituído por uma «liturgia pimba»); as casas como lugares onde já não se nasce, nem morre; o peso do nome que nos dão; os prazeres tácteis (a «comunhão erótica» com os livros em papel, inexistente nos sofisticados e-books; ou a «luxúria apoteótica» dos frutos e suas «polpas macias», «arredondadas promessas de sumo»); as cartas de amor ridículas, em envelopes de forro violeta, brevemente enfiadas no decote «como para lhe transmitir algo da própria pele»; fotos de família em caixas de sapatos». A maioria destas micro-histórias, no seu exercício de melancolia, estão no limiar do poema em prosa ou da crónica (mas da crónica que não quer ir a lado nenhum, antes se suspende na observação de detalhes ou súbitas fulgurações). Há também esboços ficcionais com desfechos irónicos, cruéis, surpreendentes ou de escolha múltipla. Inês Lourenço tem a noção exacta do que é a arte da miniatura; trabalhar as palavras como matéria raríssima que não se pode desperdiçar.» 

José Mário Silva (Atual/Expresso, 24 de Novembro de 2012)

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