ÀS VEZES QUASE ME ACONTECEM COISAS BOAS QUANDO ME PONHO A FALAR SOZINHO

Capa Rui Pina Coelho_V04ÀS VEZES QUASE ME ACONTECEM COISAS BOAS QUANDO ME PONHO A FALAR SOZINHO, de Rui Pina Coelho

colecção azulcobalto 011 | teatro 002

40 páginas | 978-989-8592-28-6| 1ª edição – Maio de 2013 | 2ª edição – Maio de 2013 | PVP: € 6,45

EXCERTO

«Para aqui chegar, às vezes, tenho que passar rente às casas. E quando se anda rente às casas dos outros, às vezes consegue-se ouvir a televisão. O relato da bola. Uma ou outra voz. Quase sempre duas vozes. Às vezes mais. Os talheres de alguma coisa. Passo rente e sigo sem parar. Não páro, mas abrando. Vou mais devagar. Mas não páro. Quando passo rente às casas dos outros, abrando. Gosto da vida dos outros. Gosto de  passar rente à vida dos outros.»

RECEPÇÃO CRÍTICA / LEITURAS

Às vezes quase me acontecem coisas boas quando me ponho a falar sozinho é um monólogo com características formais que ecoam certas estruturas rítmicas do romanceiro tradicional, com repetições de uma frase, ou de uma variação, e onde um homem faz desfilar a sua história num discurso fragmentário e desordenado que acaba por elevar essa história a uma espécie de radiografia – desfocada e sem nunca querer ser sistemática – daquilo que chamaríamos contemporaneidade, à falta de um termo menos disperso.

Sara Figueiredo Costa, revista Sinais de Cena, nº 20, Dezembro de 2013, pág. 120.
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